Pular para o conteúdo principal

Postagens

Se é para arder no inferno

"Motion 4" de Francis Giacobetti  Se é pra arder no inferno, q ue seja no fogo santo do prazer Aquele insano, mas não profano  que não és capaz de conhecer Nada de delicadeza, quiça beleza ou detalhe pra esquecer venha preparado, nada terno,  venha armado, pr'o combate                             [ao anoitecer E mergulhe nessa labareda que é minha pele, luz acesa sacrilégio posto à mesa deleite eterno, também céu e inferno, sortilégio Não demore muito, meu anjo, apenas vem.  Carola  

Não sei

Liberdade é utopia? É o que se vive? É o dia a dia? É dor sem agonia? Claridade, natividade? Força bruta ou amanhã? Será júbilo, altruísmo? Redemoinho ou talismã? Carência do sim ou do não, moeda de troca, um palavrão? Será palpável, etérea, nobre, dúvida certa, interrogação? E se é utopia, vem de dia ou no anoitecer, na escuridão? É misto de prazer e depressão? É ser independente, latente, divergente da castração? Liberdade vem com a idade ou tem a ver com o coração? É algo com facilidade, intensidade, sofreguidão? Ou a vontade de se viver eternamente com   tesão? Será cadeia, sede de mundo, ceia, tatear o abismo? Ou será uma piada, celeuma, prosa, uma charada, um aforismo mais fácil de entender se eu me chamasse Raimundo? Carola

DIALÉTICA CANALHA

Para quem leu o EMBATE RETÓRICO , publicado originalmente no Quente e Úmido : uma resposta. DIALÉTICA CANALHA *Por Danilo Caetano Eu É possível que a cama supra? Você Sim, é possível. Mas os canalhas sempre dizem sim. Os canalhas sempre alimentam relações improváveis. Eu Mas, e o canalha bem intencionado? Aquele que engana duas porque não acha justo enganar apenas uma? Você Esse é o pior deles. Eu Por quê? Você Porque jamais falará a verdade a nenhuma das duas e para uma falará sempre montado em um epicurismo simplório. Eu Mas se fôssemos todos uns cínicos a rejeitar as vicissitudes da vida, tudo não seria chato demais? Não é uma Lei de Adrástea buscar a felicidade? Você Sim. Mas os canalhas sempre dizem sim. Eu Então? Você Apenas Héstia aceitaria. Eu Então, apresenta a tua palinódia. Você Nunca. Eu Então, fico pela nuca. * Danilo Caetano é publicitário. Mas é um cara inteligente e saiu da vida de agência de publicidade...

Minha Maria

Dia Internacional da Mulher para mim não é dia para confetes, ao contrário, é data para se olhar para dentro.   Não digo que não devamos falar das glórias femininas ou ficarmos felizes com homenagens e mimos que ganhamos de chefes, maridos, amigos, namorados, homens de nossas vidas. Tudo isso é muito importante e alimenta o dia de sorrisos e afagos sinceros. Não vou fazer um discurso feminista, político ou revoltado sobre nossas mazelas, condição muitas vezes desleal no mercado de trabalho; a banalização da mídia em relação à nossa figura, que parece que só deve ser respeitada nesse dia ou do fato de nós mesmas nos colocarmos na condição de carne mais barata do mercado e reclamarmos quando querem nos comprar, entre outras coisas que abomino. Há tudo isso, mas quero falar de outras camadas mais profundas. Venho de uma família de mulheres e esse signo do feminino em mim é forte demais. Isso não implica numa camada de fragilidade e sim, muito mais nas de pelejar, aguerrir, ab...
* Por Denis Bezerra Amanhã, quando romper a cortina escura Estarei clara para a morte. Turva para a vida. E quando cerzir por mais um instante, A penetrar a apocalíptica espada, Nua na alma, Fechada ao gozo divino, A aurora se fará concreta, atroz, viril. Quando chegar, e me elevar ao vale rejeitado, As nuvens claras de dor e destino Abrirão esse amanhã: gotículas traspassadas Pela luz entrante. E sentir, por unívoco tempo, O sêmen seco fecundado. * Denis Bezerra é Professor e Ator Gosta de vinho e cigarro,  de boas conversas, de estar no palco e da vida. Pesquisa e escreve no Blog Teatro no Pará .

Jaguatirica

  Edith Piaf Perdoo-te por não mentir quando voltas da gafieira e não escondes teu sorrir sem qualquer pudor que'u queira vens como louca, brincante bailando pelas pedras da rua embebida de beijos arfantes desconfigurada, quase nua por que fazes isso, mulher? queres destruir o meu querer? para tal esbórnia, qual o motivo? não estás vendo o meu sofrer? sigo vassalo por tuas veredas e não me notas, espectro de homem volto para casa, luzes acesas Vens, jaguatirica, mansa em mim,                               [saciar tua fome. Carola

É tempo de metamorfose

Cena do filme argentino Medianeras (2011) de Gustavo Taretto E quando a vida se apresenta insípida, sem viço e sem cor, permanecemos como manequins inertes por detrás de uma vitrine, a claustrofobia é inevitável.  O peso do vidro, dureza e quase invisibilidade nos faz recuar. O medo do que se vê e a indecisão pelo incerto nos faz sofrer pelas amarras. Por mais que saibamos que não há certezas, não se quer perder o pouco de conforto teoricamente conseguido. Então, os caminhos aparecem à revelia, a vida empurra nossos pés para segui-los, que andam frenéticos e nem nos damos conta.  Quando se atenta para o que eles fizeram, a decisão já foi tomada. É preciso aceitar a verdade. Agradecer o novo. A vida não espera convite. É tempo de metamorfose.  Carola