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Flor branca (ou fábula moderna)

Tenho poucos amigos, mas não tive como não me apaixonar por você, tão sozinha quanto eu. Minha voz nem saiu de tão emocionada que fiquei, veio uma coisa doída de dentro, era o meu choro sempre contido, como nós duas.

Você, branquinha desse jeito, parece ter um chamariz entre as pétalas dizendo: vem, vamos conversar!

Eu, como sou desconfiada, fiquei de longe. Só esperando você se arrepender, mas foste persistente, continuaste me chamando mesmo tendo um jardinzinho lindo ao teu redor.

Só que você, dada a monólogo que nem eu, ficou calada. Aí, uma abelha ciumenta começou a nos rodear. E eu, que sou cheia das alergias, morri de medo, meu choro contido veio com muita força.

E a dona chuva também se meteu na história, disse “Chega”, veio também nos aperrear. Aí, engoli o choro e voltei para o meu Manoel de Barros.


Carola

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