Pular para o conteúdo principal

Pra lembrar de viver



A sexta-feira é placebo
Dado a nós pra não sabermos
que a vida é usura
Diário de muitos mitos
Caminhada cheia de ritos
Trilha diária de inúmeros erros

Mas sabemos do eterno sofrer
que o homem traz no peito
Como ferro marcando a pele
Tudo inverso, gasto, oposto
do que se espera, falsas palavras
violentas quimeras, imperfeito
mundo, sem  ordem, hipérbato
Grandes reviravoltas no viver

Independente do placebo,
Horário, forma, fama, trabalho
Trago no fundo de meu dia
No âmago do peito: um raio
que me eletrifica e me acorda
para que’u não roa essa corda
como um rato adestrado,
na maçante e bruta mais-valia
de quem não vive,ama, grita, chora
                            [e só tem medo
E não se entrega ao enredo
do fugidio, mas inefável dia a dia.


Carola

Comentários

  1. Carola,

    a vida roda sua fortuna com violência e delicadeza transitórias, e é preciso saber se movimentar em suas ilusórias cadências. mas ah, esse raio que trazes, esse enredo, é disso que falo: é aí que os deuses entregam suas joias, sua fortuna no jardim do destino.

    beijos,

    r

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Poetas Marginais e Geração Mimeógrafo

Estamos mais do que acostumados a ter acesso a livros e e-books que muitas vezes nem sequer passam pelo mercado editorial, mídia, crítica literária, universidade   ̶  isto é, espaços responsáveis pelo sucesso de público e sobre a inclusão da obra no cânone literário   ̶ ,   mas que se tornam fenômenos de leitura   e podem influenciar gerações futuras. Não, não estou falando de nenhum sucesso da web em blogs, sites, tumblr, fanzine virtual ou algo do gênero.  Estou falando dos poetas marginais e da Geração Mimeógrafo. Para você que acha que esses poetas vieram diretamente da cadeia, ou mimeógrafo é um bicho, uma doença ou um tipo de droga, explico.  Esses poetas começaram a produzir seus escritos a partir da década de 70 e se estenderam até 80 – alguns teóricos consideram apenas a década de 70, porém pela produção literária que até flertou com o movimento punk outros também consideram a segunda década –, ou seja, compreendidos nos ano...

Faces

onde nos encontramos na arte é nas dores do mundo devo saber tirar de mim as minhas dores as dores dos outros mas como tirar do espírito um dos cernes da poesia? não sei como fazer mas escuto isso o tempo inteiro Sensibilidade é o que nos enfraquece tu, virando lágrima eu, rochedo Carola e Lylian Cabral

Ficção de todo dia II

Só ouvi aquela rajada. Eu achava que era pneu de bicicleta, sabe quando estoura? Pois é. Mas como isso? Várias bicicletas ao mesmo tempo? Ah, eu pensei que era. Na verdade eu sabia o que era, mas tava rezando pra que não fosse, sabe como é, a gente fica com medo, vai que é com um parente nosso.  E o que tu fizeste? Quando eu ouvi? Sim. Eu corri pra porta de casa na mesma hora pra ver o que era. E tu já não sabías? Sim, eu precisava ter certeza. Precisava, tava curiosa, queria saber quem tinha levado sal! Como assim? Bicho morto num é salgado? Pelo amor de Deus... Ah, é assim que a malandragem fala. Desde quando tu és malandra?  Deixa eu contar: na hora que eu saí na porta não tinha ninguém na rua, olhei pra um lado, aí quando olhei pro passaram dois caras numa moto e me olharam na cara, chega eu engoli seco, voltei correndo pra dentro de casa e esperei eles irem embora. Nunca vi na vida, fiquei tremendo que nem consegui me mexer, esses caras são todos iguais, mesma ca...