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Sem forma revolucionária, não há arte revolucionária*



Para os amantes da literatura perder um mestre é perder um herói. Infelizmente o mestre da vez foi Décio Pignatari - figura importantíssima para a cultura brasileira e por quem tenho pessoal apreço -, que nos deixou neste último domingo(2).


Perdemos uma das referências da literatura neste país, responsável por um grande legado em comunicação e semiótica, ensaios, traduções de clássicos de  Dante, Goethe, Shakespeare, Maiakovski, autores das vanguardas americanas, entre tantos outros. E rompeu com a geração dos poetas de 45 e nos trouxe o novo, o concretismo no Brasil, aliado aos irmãos Campos no grupo Noigrandes, numa seara em que poucos escritores se aventuram: a poesia.

Foi responsável por um novo olhar  para a linguagem poética, que não era apenas um meio para a mensagem e sim, a própria mensagem. Fez o tratado da poesia concreta. Trouxe a semiótica para dentro do poema e o transfigurou.

Um revolucionário para os que veem na poesia um caminho para "transcriar" a nossa linguagem feijão com arroz, quase sem tempero, que é consumida e às vezes estragada pelo dia a dia. E ainda flertou com com várias artes, literatura, performance, música e influenciou movimentos culturais posteriores,a exemplo do Tropicalismo.

Décio Pignatari foi um mestre para várias áreas do conhecimento científico e das artes, sobretudo, para a poesia, um marco para a cultura deste país tão carente de heróis da palavra.


*Maiakovski

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