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O incrível caso da Carola que queria ser mulher de Deus

Ela, somente ela, que julgava ser a injustiçada na vida, tinha em Deus a cura de seus desejos da carne.  Esta que anda por sua casa desfilando suas rugas e com cangula atochada, pelos corredores, escadas e cozinha do seu mausoléu.  Conserva ainda, debaixo da encruada fé e rugas buscadas na igreja, um viço de moça velha, mal sabem vocês que esta foi uma fervorosa puta, que dançava nas mesas de bar e encorajava os homens a tombá-la, quem teria coragem? Muito se sabe sobre suas orgias regadas pelo dinheiro alheio, muitos homens rezaram, choram e se regozijaram a seus pés, mais do que isso, no seu altar.  Já teve de tudo: beleza, paixões, dinheiro, diploma em faculdade pública e este hoje nada mais é do que um quadro talhado em madeira em uma parede esquecida, símbolo do seu antigo status . E um carro, não seu, mas com motorista parado na frente de casa, como presente por seus milagrosos serviços. Muita bebida e festa com suas amigas, ela tinha vícios...

Um país chamado Jurunas

Muitos podem pensar que esta é uma mera tribo, de fato foi. Essa já é uma época passada, mais que um tempo, é o meu estado.  Os moradores dessa tribo, que hoje já pode ser considerada Aldeia deixam uma pessoa anormal perplexa (imagine uma normal!) e digo o porquê. Os anormais pensam, dizem alguns, pois não têm nada melhor para fazer, já que cabeça fértil é terreno para o diabo, tento não sucumbir enquanto o Padre Gatinho, sucesso entre as beatas de plantão é escutado por todos no volume máximo. Mas acho que o Diabo é um bom agricultor. Toda a Odisseia começa ao acordar e não e preciso descer muito para chegar ao inferno, nesta história Dante não ia dar nem para o começo: a loucura começa ainda nos sonhos, quando o martelar do brega cutuca o inconsciente e quatro versos, nada mais que isso, te assustam e acordas sobressaltado.  O mesmo verso repetido trezentas vezes não te deixa em paz, mas tudo pode piorar: quanto mais capcioso mais...

Saudosismo em Santarém

Ao som de uma trilha sonora belíssima, um ar condicionado refrescante em uma terra quente, escutando a Nara, a Maysa e Cartola.  Tudo gostoso. Um violão sendo dedilhado ao fundo e uma vontade violenta de escrever para alguém que eu nem sei se lê, muitas coisas lindas brotando de mansinho. Prestes a voltar para o mundo real e lançar mão do meu amor que está em busca da sua empreitada, de seu caminho, me vejo como um samba de uma nota só. Música boa, mas triste. Prazer efêmero, fugaz, mas intenso de não aguentar. Poderia dizer coisas interessantes, sobre arte, música, dança, fotografia, mas não sei. Minha alma se sente mais livre, mais flutuante que um balão colorido pronto para dar seu voo rasante de despedida. Muitas mudanças, via nova se armando. Cuidado. Letras, letras, ladras, mordes. Carola

Episódios de "regionalice" crônica: a moça da Kombi

Não, meu senhor, não lhe devo um e cinquenta! Já falei que não devo. Mas, meu senhor, passei ontem lá por trás do cemitério, à noite, bem antes de chegar na Guerra Passos, pois tava voltando pro Guamá e a moça falou que era pra eu vir buscar o dinheiro da passagem aqui, pois tinha sido assaltada na frente do cemitério Santa Izabel, sabe como é, perto do dia de finados "us menino" ficam demais, fazem assalto com antecedência, pra não perder o feriadão. Mas eu não tenho mais filha... Senhor, eu não tenho nada a ver com briga de família e a moça era a sua cara, cuspida e escarrada, não tem nem como dizer que é filha do vizinho, é sua mesmo, não dá pra negar! Ô meu amigo, você não está entendendo... Claro que tô, vocês querem é me dar o calote, fala a verdade! Fosse a passagem de um táxi, tudo bem, que a bandeira dois tá pela hora da morte, mas uma passagem de Kombi, já é demais. Ainda mais uma moça bonita daquelas, bem vestida, tá certo que aquele vestido...

Carta à Pernambucana

Ela vem com seus olhos castanhos e postura de cavalo de Tróia, conquistadora-mor de vários biomas, ou será bio-amas? Territorializando corações. Das pessoas se torna porto, do seguro espírito nômade que encanta, com tanta sede de se arraigar. Mas, desencanta os seus, seu núcleo-base, a cocaína entorpecedora de seu âmago, o familiar. De volta ao lar se sente só, pois o mundo é sua casa, ambiente fugidio. Só, seu. Solitariamente deslumbrante, vividamente morto. As incertezas a ela se incorporam, santo de testa tão intenso, douradamente parece Oxum, na versão de mãe, zeladora de suas crias: o rebento e o homem. Este que a in(ex)citou a buscar outros e nem tão novos mundos. Aproveita as intemperanças, ilogicidade de sua teia e faz novas formas com teus tecidos grudentos, Viúva-negra. Exerce esse poder e come teu zangão com prazer, suga suas certezas, antropófaga de emoções. Mergulha esse lindo mar que vem te beijar e sorve apenas a luz, o sol, as estrelas e a felic...