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Morte diária

Para o ser humano lembrar que está vivo busca novidades nos espelhos cotidianos veiculadores de notícias, entretenimentos e de absurdos, é de se admirar a capacidade de inovação e violência dos criadores e personagens dentro de tais espelhos.  Empregada é pega espancando neném de meses; o ministro chefe da casa civil deposto depois do cagaço político; entrevista do menino de doze anos que é preso depois do segundo assalto em menos de um mês: por que você foi preso meu filho? Por assalto, tio. Cadê sua mãe? Tá morta, foi assassinada. E teu pai? Meu pai é ladrão de banco, tá preso ele. Quem cuida de você? Sem resposta. Cada pedacinho de vida morre à medida que não acordamos diante do que nos reflete. Nos pixels das imagens, nem tão distantes e dentro de casa. A ilusão é de afastá-las com um click do controle, mas este é remoto, intermitente e a morte é diária. Carola

Todos querem ser o cordeiro de Deus e tirar os pecados do mundo

Americanos gargalharam como feras após a notícia da morte de Bin Laden, mostraram ao mundo seu ódio por dentro dos dentes, em gritos ferozes de euforia.    A dança do povo que saúda a morte. A guerra é contra o terror, mas quem planta o terror no povo árabe e, sobretudo, no mundo ocidental, financiando guerrilhas, grupos de extermínio, embargos econômicos, má distribuição de renda, negando ajuda humanitária para países latinos paupérrimos que não se curvam à política externa do Tio Sam? Política esta que no seu íntimo ratifica regimes totalitários de seus aliados e esmaga civis, religiosos e extingue famílias inteiras. A guerra contra o terror matará mais alguns milhões de seres humanos, essa história já é antiga, desde que o mundo é mundo procura-se um culpado, que justifique nossos erros e sacie a nossa sede de vingança. O homens se digladiando ao molde romano. Ocidentais e orientais. Palestinos e judeus. Nós tantos. O Bin Laden levou um tiro na cabeça. Todos q...

Chronos II

Às vezes não temos tempo de parar e viver as coisas, parece que a vida anda em um compasso que não conseguimos alcançar, movimento alucinado de carros, pessoas, buzinas, semáforos, elevadores, comida, escada, fast-food , cerveja, banhos, café, pó compacto, tanta coisa ao mesmo tempo, tanto tempo na mesma coisa, não sabemos nos situar, queria apenas contemplar aquele pôr do sol de ontem...  Espaço atravessado por tarefas, tarefas englobadas de obrigações, estas engolidas pelo tempo.         Coisas sendo ressignificadas a todo instante, na hora de parar e dormir o cérebro continua correndo, parece que nem dormimos, sinto-me no ontem, não consigo viver no hoje. O dia começa no estado de dormência e não há quem nos acorde do sonho, por vezes pesadelo diurno. Anestesia noturna. A vida segue em slow , quadro a quadro, porém, inequivocamente veloz. O ritmo desesperador nos faz cúmplices desse tal de Chronos. Ele insiste em correr à revelia. Enquanto nós...

Chronos I

nada mais etéreo  que o escorrer do tempo partícipe da tristeza veloz na euforia cânticos contigo mareia minha alegria pobre de mim que de podre alma fiz reluzir minh’agonia nas travessas de teu correr ruas mornas ah, vem idas de meu viver Carola

Papel de Poema

papel  de poema siga-me com seu dilema meu destino seu problema sua prosa minha trema nosso Rosa na extrema então, linha vértice decassílabo impulsivo sôfrego estilo ardil cruel desatino          um simples ponto                                             no final                                                                             Carola

Fazei de mim seu escravo, um só corpo, um só espírito

Aquele clichê básico de que no Brasil o ano só começa depois do  carnaval é mentira! A questão é que se é mais feliz depois desta festa máxima da luxúria (adoro?), nela esta embutida toda a capacidade de dizer-fazer-se-arrepender das maiores merdas que não se faz o ano inteiro.  A culpa cristã aflora de todos os poros lacrimejantes do corpo e durante a dieta quarentena nos faz arrependidos de ser tão inconsequentemente felizes. Após estes rápidos e demoníacos dias n ão nos envergonhamos das bebedeiras lascivas, dos casos relâmpagos com a pureza de anjo decaído, das brigas e blasfêmias proferidas que verdadeiramente não fazem o menor sentido, das juras de amor eterno de um dia, da descompostura que nossa querida mãezinha ficaria boquiaberta, das quedas enamoradas e súplicas embriagadas. Ah! Carnaval: carne, aval, encarna, vendaval. Fazei de mim seu escravo, um só corpo, um só espírito. Carola

Entre uma aula e outra poesia: Mateus Moura e Mariana Hass

O círculO viciOsO                                                     Porque o coque,   dama?                                                     -e a pinta solitária no pescoço nú -                                                  ...