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Postagens

Saudosismo em Santarém

Ao som de uma trilha sonora belíssima, um ar condicionado refrescante em uma terra quente, escutando a Nara, a Maysa e Cartola.  Tudo gostoso. Um violão sendo dedilhado ao fundo e uma vontade violenta de escrever para alguém que eu nem sei se lê, muitas coisas lindas brotando de mansinho. Prestes a voltar para o mundo real e lançar mão do meu amor que está em busca da sua empreitada, de seu caminho, me vejo como um samba de uma nota só. Música boa, mas triste. Prazer efêmero, fugaz, mas intenso de não aguentar. Poderia dizer coisas interessantes, sobre arte, música, dança, fotografia, mas não sei. Minha alma se sente mais livre, mais flutuante que um balão colorido pronto para dar seu voo rasante de despedida. Muitas mudanças, via nova se armando. Cuidado. Letras, letras, ladras, mordes. Carola

Episódios de "regionalice" crônica: a moça da Kombi

Não, meu senhor, não lhe devo um e cinquenta! Já falei que não devo. Mas, meu senhor, passei ontem lá por trás do cemitério, à noite, bem antes de chegar na Guerra Passos, pois tava voltando pro Guamá e a moça falou que era pra eu vir buscar o dinheiro da passagem aqui, pois tinha sido assaltada na frente do cemitério Santa Izabel, sabe como é, perto do dia de finados "us menino" ficam demais, fazem assalto com antecedência, pra não perder o feriadão. Mas eu não tenho mais filha... Senhor, eu não tenho nada a ver com briga de família e a moça era a sua cara, cuspida e escarrada, não tem nem como dizer que é filha do vizinho, é sua mesmo, não dá pra negar! Ô meu amigo, você não está entendendo... Claro que tô, vocês querem é me dar o calote, fala a verdade! Fosse a passagem de um táxi, tudo bem, que a bandeira dois tá pela hora da morte, mas uma passagem de Kombi, já é demais. Ainda mais uma moça bonita daquelas, bem vestida, tá certo que aquele vestido...

Carta à Pernambucana

Ela vem com seus olhos castanhos e postura de cavalo de Tróia, conquistadora-mor de vários biomas, ou será bio-amas? Territorializando corações. Das pessoas se torna porto, do seguro espírito nômade que encanta, com tanta sede de se arraigar. Mas, desencanta os seus, seu núcleo-base, a cocaína entorpecedora de seu âmago, o familiar. De volta ao lar se sente só, pois o mundo é sua casa, ambiente fugidio. Só, seu. Solitariamente deslumbrante, vividamente morto. As incertezas a ela se incorporam, santo de testa tão intenso, douradamente parece Oxum, na versão de mãe, zeladora de suas crias: o rebento e o homem. Este que a in(ex)citou a buscar outros e nem tão novos mundos. Aproveita as intemperanças, ilogicidade de sua teia e faz novas formas com teus tecidos grudentos, Viúva-negra. Exerce esse poder e come teu zangão com prazer, suga suas certezas, antropófaga de emoções. Mergulha esse lindo mar que vem te beijar e sorve apenas a luz, o sol, as estrelas e a felic...

E quando a noite vem

Cena de Dreams de Akira Kurusawa Um dia ele apareceu com o mesmo sorriso de sempre, falando alguma besteira incompreensível naquele momento. A felicidade em que estava embebida desnorteou-a num semiestado de alucinação. Buscou compreender como poderia ser tão feliz, não, não ouvia nada, mas aqueles olhos brilhantes, esverdeavam o espaço e aquele corpo franzino enchia o vácuo: seu coração, o não lugar. Uma sala era aquilo, pintada em tintas turvas, sem contornos, por entre sombras. Sobras que queria provar, seu destino foi o lixo, foi a terra, se vem dela e se volta a ela. A insanidade daquele momento não foi compartilhada por todos, nem poderia, o estado era unicamente seu e o todos se fez cenário, teatro de sombras. Caso fosse uma máscara, estaria descortinada e a cara do ator estaria nua. Como saber?  Foi ele ou foi Deus? Mas ela teve um dia iluminado, por aquele sorriso, por aqueles olhos cansados e belos. Carola Crédito da imagem: Frame de...

Escrever dói

Depois de postar um poema que por si só já entrega o seu teor, esqueci de como é necessário tentar sempre, de fato me acovardei, colocar suas construções lexicais e sentimentais em um espaço público é doloroso, pois a cara fica livre para bater, para ser cuspida, seu ego pisoteado e o escárnio se mostra próximo. Arte de Karin Lambrecht Fiz questão de procurar esse caminho que me foi tão empolgante de trilhar à primeira vista, mas tão arenoso de continuar...retorno a ele como entrei, como uma andarilha distraída, que solta suas palavras-semente ao vento para que sejam fecundadas, em parte só, em parte por todos. Quero que elas floresçam e que seus frutos alimentem quem tem fome de leveza, quem não tem medo de ser ameno. E nas horas de caos, encontrem uma artilharia que pode ser usada para saciar seus tormentos. Em suma, quero dividir, compartilhar o que tem de belo e podre dentro de meus espasmos literários. Carola